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Sinopse:
O que acontecerá quando desfolhamos malmequeres, trocamos números por flores, sonhamos com cavalos livres e soltamos borboletas de interrogações no ar...?
Sim, o que acontecerá quando descobrirmos que trazemos TODO o universo dentro de nós?
Comentário:
Este é um livro sobre duas coisas fundamentais na vida dos humanos: a educação e a felicidade. Mais. Faz a articulação deste dois temas, deixando a pairar a ideia de como é cruel e triste toda a educação que não educa para a felicidade.
Mas o que é isso de educar para a felicidade?
Educar para a felicidade é produzir uma capacidade de organização, de compreensão e de disciplina que não nos encerra dentro de nós mesmos, que não nos oprime, que não fomenta a cautelosa dissimulação diplomática dos que se sentem amordaçados pelo medo de sonhar ou de ousar.
Educar para a felicidade é ensinar a prudência sem diminuir as nossas infinitas potencialidades de sentir e de criar, de partilhar e de optar, de lidar com os problemas e com os mistérios sem as angústias e as punições que geralmente se associam à percepção de que nada ou pouco sabemos.
Educar para a felicidade é fornecer meios de elevação e de crescimento, é rodear a tarefa de crescer com apreços e com orgulhos, mesmo nos momentos em que não nos sentimos à altura ou em que nos parece termos falhado.
Educar para a felicidade é interiorizar a ideia de que a determinação de nos levantarmos após uma queda é mais importante do que o facto de termos caído.
Educar para a felicidade é contagiar com a capacidade do deslumbramento e temperar com o seu sal todo o caminho da vida.
Este livro fala-nos de uma menina borboleta que, como todas as meninas e todos os meninos, vêm ao mundo com uma ingenuidade sã e com a capacidade do deslumbramento no seu estado de maior facilidade e espontaneidade.
Um estado que se torna nostálgico para muitas meninas e meninos que, entretanto, se tornaram mulheres e homens.
É também um estado a que muitas daquelas pessoas que teimam em transfigurar criativamente o mundo através da sensibilidade — os artistas — querem voltar, como se aí encontrassem a verdadeira mestria.
Este livro fala-nos de uma menina borboleta que teve naturalmente de sair do casulo e que foi lançada no universo. Num universo de tantas, tantas coisas, que para nos orientarmos nele temos de aprender, aprender e aprender.
No início, nem reparamos na quantidade de coisas que aprendemos.
Depois, vamo-nos dando conta de que as coisas são muito complexas e que habitamos entre dois mundos: o mundo das coisas e o mundo dos pensamentos sobre as coisas. E neste último, há uns que pensam assim, outros que pensam assado. São pessoas e, como nossos semelhantes, merecem o nosso respeito.
Ora, um pouco mais à frente, começamos a achar que não temos espaço para tanto… e que no meio de tanto, das coisas, das pessoa e do respeito, arriscamos a perdermo-nos de nós mesmos.
Aí, descobrimos — pelo menos alguns descobrem — a necessidade de ser, de abeirar o sopro que transporta a alegria da vida, de imitar, mas à nossa maneira, de sermos uma pequena poeira universal, mas uma poeira significativa que é tão capaz de aprender como de abraçar.
Então, percebe-se que a educação para a felicidade se sustenta na imaginação que nos abre e não no saber e nos conhecimentos que tantas vezes nos fecham ao deslumbramento.
Que a disciplina que com tanto esforço, treinos e punições conquistámos, não tem de nos oprimir nem tornar ressentidos, e que, ao invés, nos dá uma capacidade mais certeira de amar.
Este é um livro sobre educação e felicidade. Sobre a educação para a felicidade. Aquela que conduz a uma vida em que se sabe respeitar sem perder o fogo que a imaginação transporta nem o amor que nos faz viver como abraço.
Obras já publicadas de Fátima Éffe:
- Os livros que gostam de contar histórias (com zé-luís e ilustração de Marc)
- A carta e... amor? e outros segredos (ilustração de Susana Ayres dos Santos)
- Estórias da vida encantada (com ilustração de Rita Oliveira Dias)
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